Um perfeito cavalheiro



   Os Bridgertons, vol.3
    Autora: Julia Quinn
    Editora: Arqueiro
   Páginas: 304

Como a própria sinopse do livro pode dizer pra vocês, Julia se inspirou no clássico conto da Cinderela dessa vez. E ao contrário do que você possa imaginar, Sophie, nossa mocinha da vez, fez um papel quase digno da princesa original.

Benedict, o segundo filho da família Bridgerton, já está beirando seus 30 anos e, com isso, a obcessão de sua mãe de ver seus filhos casados o mais breve possível só vem aumentando. Entretanto, ainda que seja um dos partidos mais almejados da temporada, estando empatado com qualquer um de seus outros irmãos na idade de casar, ele não faz a menor questão de contrair o matrimônio tão cedo.

Sophie é uma criada. Bem, ela é criada na teoria, está mais para uma escrava na prática. Pra ser bem sincera, a jovem não é nenhuma dessas coisas. Sophie é uma bastarda, filha ilegítima do conde de Penwood, e desde criança foi criada dentro da casa do pai, tendo tudo do melhor, mas nunca sendo reconhecida como filha oficialmente ou tendo a atenção que merecia. No entanto, alguns anos depois do conde se casar com Aramita, e levar as duas filhas da mulher para morar com ele, o velho faleceu, e a madrasta, que sempre detestou a filha do conde, viu esta como a oportunidade perfeita para torná-la sua escrava pessoal.

Cansada de ser apenas a garota de lustrava sapatos e aturava a madrasta infernal e suas filhas quase tão horríveis quanto ela, na noite do baile de fantasias de Violet Bridgerton, Sophie decide que merece um dia de nobreza. Usando uma pequena máscara que lhe tampa os olhos, Sophie vai ao baile, e é lá que conhece Benedict Bridgerton.

Como podem imaginar, o encanto de um pelo outro é quase instantâneo. Benedict se apaixona por cada detalhe de Sophie, e vice-versa. Entretanto, a garota sabe que tudo não poderá passar de uma noite, que ela não pode se render aos encantos de Benedict, porque aquele mundo de glamour não lhe pertence. E assim, à meia-noite, Sophie vai embora às pressas, sem dizer seu nome, deixando com o Bridgerton somente sua luva.

Anos se passam sem que o casal torne a se encontrar. Depois de uma reviravolta inesperada, Sophie agora deixou Londres, porém sem nunca deixar de sonhar que um dia encontrará Benedict novamente. Enquanto que ele, depois de meses de busca pela sua “dama de prateado” misteriosa, está de volta a sua antiga vida de prazeres banais, aguardando pelo dia que a verá de novo.

E o dia chega, afinal. Contra todas as expectativas, Sophie e Benedict se encontram novamente e, apesar de ele não reconhecê-la, Sophie se lembra muito bem do belo homem que tem habitado seus sonhos há anos. Benedict acredita que a garota não passe de uma criada, mas ainda assim não consegue evitar seus desejos por ela, enquanto que Sophie busca cada vez mais se proteger do Bridgerton, pois ela sabe que deve resistir aos encantos dele, já que seus mundos não são compatíveis, e a última coisa que deseja é ter um filho bastardo como teve sua mãe.

Creio que de todos os livros desta autora que li até agora, este foi o menos me deixou animada, inicialmente pelo menos. Essa coisa de reescrever contos de fadas pra mim já ficou bastante batida, não vejo mais graça em ver nenhum das heroínas por aí perdendo sapatinhos ou qualquer parte de suas vestimentas, ou sofrendo sobre o pulso forte e injusto de alguma madrasta. Sinceramente, pra mim esse tema já deu o que tinha que dá (e ninguém supera as princesas originais. Fato.).

Entretanto, por ser de ninguém menos que Julia Quinn de quem estamos falando, é claro que não pude resistir a me enveredar por mais um de seus livros, e, como sempre, não me arrependi. É óbvio que ainda não me sinto completamente realizada, graças a essa ficção pela Cinderela, porém a estória continua me prendendo do início ao fim.

Julia continua fazendo de seus livros um passatempo delicioso, com aquele romance bem clichê e meloso, mas completamente irresistível. Talvez porque todos os livros até então sempre terminam da mesma maneira, estou começando a me sentir um pouco cansada, as coisas já estão se tornando um pouco repetitivas pra mim: se apaixonam, algo impede que fiquem juntos, se casam, e então aparece um epílogo em que a autora mostra eles alguns anos depois felizes para sempre.

Creio que toda essa “mesmice” esteja começando a me afetar, quando chego ao final da leitura penso: “ah, não, isso de novo?!”. Contudo, ainda que o final seja sempre o mesmo (pelo menos até agora), não dá pra negar que o caminho até lá seja de tirar o fôlego e o sono. Mesmo que já possa esperar que o próximo livro tenha o mesmo padrão, não consigo deixar de desejar descobrir como as coisas irão acontecer, saber tim-tim por tim-tim o que ocorre durante a narrativa, e, imagino eu, que qualquer uma que goste de um bom romance irá se sentir da mesma forma.

Por isso, mais uma vez, digo que simplesmente não dá pra resistir à Julia Quinn, ou melhor, não dá pra resistir aos Bridgertons, e acho que Sophie diria o mesmo pra vocês por experiência própria.

Beijos e comentem!

4 comentários:

  1. Olá, Camila! Ainda não conheço o trabalho da Julia Quinn, e sempre tive este receio quanto a histórias "felizes para sempre", mas de vez em quando nos surpreendemos com a escrita desses autores né... Estou conhecendo algumas autoras nacionais nesse estilo e confesso que estou gostando; tem muita gente criativa por aí, vale mesmo conhecer...
    Adorei o blog! Primeira vez aqui :)
    Bjs,
    Rebeca

    http://blogpapelpapel.blogspot.com

    ResponderExcluir
  2. Estou a tentar visitar todos os seguidores do Peregrino E Servo, pois por uma acção do google meu perfil sumiu e estava a seguir o seu blog sem foto e agora tive de voltar a seguir, com outra foto. Aproveito para deixar um fraterno abraço.
    António Jesus Batalha.

    ResponderExcluir
  3. Eu gostei bastante do livro, apesar de ter ficado com uma raiva imensa do Benedict por causa da proposta que ele teve a cara de pau de fazer a Sophie, mesmo sabendo que ela nunca iria dar a à luz a um bastardo.
    Meu favorito foi o do Collin, que foi o último que li da série. Espero poder continuar a ler, mas a universidade não está deixando.
    Adorei a resenha. Também achei o livro uma "receita". Acontece quase as mesmas coisas em todos os livros.

    ResponderExcluir
  4. Oi! Não li ainda livros dessa autora, mas sempre ouço falar super bem! Adoro romances desse tipo e adorei a sua resenha!

    ps: não sei se você lembra do meu blog, era o "strawberry de livros e filmes" mas agora o nome mudou para "pitada de cinema e leitura" e eu voltei com novidades nesse novo blog! Conto com a sua visita! E espero que goste! :)

    Jéssica Patrício - pitadadecinemaeleitura.blogspot.com

    ResponderExcluir

Obrigada por deixar sua opinião! Beijos!

 
No Limite da Leitura © Copyright 2013 | Design por Camila Darc | Todos os direitos reservados.